Quadro

Um rosto no retrato.
Impressionista.
Impressionante,
Que deixa o poeta, errante,
Estupefato.

Sorriso tão lindo.
Olhar tão doce.
Quisera o poeta que fosse
Eterno esse instante.
Não obstante
A singeleza do momento,
Toma pra si o sentimento
De forma tão forte:
Há de preferir a morte
Que viver sem sua amada!

Mas como, se emoldurada,
Feita à óleo, na tela,
Vive sua musa, tão bela,
Mas uma vida passada?

Para o poeta isso é pouco!
E mesmo sabendo que é louco,
Quer viver esse amor diferente,
E beijá-la todo dia
Nem que seja pela lente,
De sua vã poesia.

Amor da minha vida

Amor da minha vida,
Namorada.
Parceira tão querida
De jornada.

Em tudo o que eu penso, e no que eu faço.
Tantas vezes na alegria, outras na dor,
Comigo sempre, a cada passo,
Em cada espinho. E em cada flor.

Esse amor que eu sinto, sem tamanho
Cresce desde aquele dia em que nos vimos
E eu me perdi nos teus olhos castanhos,
Num labirinto, que nunca mais saímos.

É nos teus braços que encontro o que procuro,
E é com teu beijo que tudo se acalma.
Só tenho pra te dar, meu amor mais puro,
Meu peito, meu abraço. E minha alma.

Bom dia, namorada!

Bom dia, namorada!
Mais um nessa nossa linda longa estrada
Cheia de curvas,
Emoção.
(E brinquedos espalhados pelo chão.)
Seguimos firmes.
De mãos dadas.
Mesmo sabendo que não é um conto de fadas.
A vida.
Te amo hoje como há seis anos.
E vou te amar pra sempre
Em todos os planos.
Que não nos falte assunto.
Abraço.
Nem beijo.
Que saia um futuro incrível
No realejo.
Que eu jamais tire do lugar
O sorriso lindo
Que me fez me apaixonar.
E, mesmo quando o mundo não for assim
Tão perfeito,
Que encontres sempre o teu refúgio
No meu peito.

A menina no trem

A menina bonita do trem do Bandeira
me deu sua boca pra matar a minha sede
e foi ficando, e ficou pra vida inteira.
Nessa viagem,
minha amiga e companheira,
é também
meu pôr do sol na cordilheira
que me encanta,
me acalanta,
me acalma.
Amor de peito,
amor de leito,
amor de alma.
Seguimos, pois,
nós dois,
na mesma estrada
que passa boi, passa boiada.
A do poeta.
Às vezes curva. Às vezes reta.
E passa rio,
passa frio,
passa mato,
passarinho.
Passam flores.
Passamos risos.
Passamos dores.
Muitas vitórias.
Muitas histórias.
De nós dois.
A moça bonita comigo.
No mesmo trilho.
Me deu força. Me deu vida.
Me deu filho.

Dezesseis

e, de repente, dezesseis.
pisquei os olhos,
me distraí.
mal contei até três.
e virou moça,
minha menina
que já foi judoca,
capoeirista. e bailarina.
menina minha.
princesa. bebezuda.
pra sempre ursinha.
o amor
das minhas vidas.
e a razão também de algumas noites
não dormidas.
faz parte. e vale a pena
pra ver crescer, mulher,
minha pequena.

tanto de mim
só que melhor.
só que mais forte.
só que linda.
(e tem olhos azuis, ainda…).
melodia
que encaixou, perfeita,
na minha imperfeita
poesia.

de, repente, dezesseis.
e eu vou contar uma coisa
pra vocês:
se eu pudesse viver tudo de novo,
eu viveria.
porque foram anos
da mais pura alegria.
mas o porvir, ah! o porvir
será ainda mais feliz
com cada coisa e tudo, tudo,
que ela sempre quis.

a minha artista.
minha cantora favorita
que canta e encanta…
voz tão bonita.

sobe no palco, Carol. e brilha!
meu amor, minha vida.
minha filha!

Treze

dos seus olhos azuis
vem a paz
que me faz
ser capaz
de voar.
e voando,
do alto, eu enxergo,
a menina mais linda que existe,
que me levanta se eu me envergo
e me alegra se fico triste.
a menina que quer ser mulher,
ainda ri como criança,
e leva a minha esperança
de ela ter o que quiser.

dos seus olhos azuis
vem o amor
que me fez
ser doutor
em amar.
e, amando,
aprendi que a vida
ficou bem mais colorida
depois que a minha menina,
que eu chamei Carolina,
fez de mim seu papai.

Eu só queria

Eu só queria dizer que te amo.
Hoje, mais que ontem, ainda, um pouco.
E que teus olhos me deixaram louco
Desde o primeiro olhar que nós trocamos.

Que o teu sorriso é um anjo que me acalma.
Mesmo vindo de lábios que me atiçam,
Da boca de palavras que enfeitiçam,
É ele que traz paz pra minha alma.

Teu colo é o meu porto seguro.
Aconchegante fonte de carinho,
Onde me encaixo e acho o caminho,
Pro teu amor, que é meu, tão lindo e puro.

Que Deus perdoe a quase heresia
De tentar expressar tua beleza
Com traços brutos, sem delicadeza
E os frágeis versos dessa poesia.

Cuando sucede el amor

Cuando sucede el amor,
las dos almas perdidas
se encuentran y se abrazan cálidas,
nace una estrella en el cielo
y quien ama siente el velo
de una brisa de felicidad.
¡Verdad!
Yo mismo he sentido
cuando, distraído,
me di cuenta que los ojos de ella eran lindos,
seguro, los más lindos que he visto.
¡Santo Cristo!

Cuando sucedió el amor,
yo respiré fragancias de flor,
y mi mundo en blanco y negro,
ganó una nueva color.

Se longe

Se longe dos meus braços, por pior que seja,
Temos a nos proteger, a sincronicidade,
Com todas as boas surpresas que ela enseja,
E que me fazem acreditar na felicidade.

Se longe dos meus braços, por demais distante,
Te viras a mirar meus olhos quando te chamo,
Acalentas minha alma naquele instante,
E me brindas com a certeza de que te amo.

Minha bailarina

Hoje vi minha bailarina.
Mágica.
Linda.
Divina.
Já nem me lembro
Se havia vida sem ela,
Quando, ali da janela,
Vejo seus movimentos.
Lembro, sim,
Dos momentos,
Os nossos.
E a cada passo delicado,
Fico mais apaixonado.
Mais vivo.
Hoje vi minha bailarina,
Minha mulher
Com roupa, alma
E rosto,
De menina.